Nos meses de julho a agosto em Madri chega a ser uma alegria para o trânsito e o transporte público. Ruas vazias, menos tráfego, trens, metrôs e ônibus menos freqüentes e mais lentos porém sem o aperto e o desconforto das multidões.
A cidade pára para o descanso obrigatório dos cidadãos. Muitos não têm como pagar suas dívidas, hipotecas e gastos que fizeram nas festas de fim de ano mas não ficam, nem sonhando, sem suas “vacaciones”.
Nos últimos meses, no trabalho, encontrei pessoas que se declaravam apaixonadas pelo Brasil. Alguns se firmavam no trio maravilha, cartão de visitas brasileiro, mulher/futebol/carnaval. Mas encontrei alguns como o francês Jean*, que sendo músico jazzista, tem vontade de conhecer o Brasil para aprender algo mais sobre Jobim e Pixinguinha, visitar a Mooca e tocar com sambistas de verdade, dona Lucía* deseja conhecer o nordeste brasileiro e suas praias e a filha do seu Jorge* quer aprender a dançar samba com a mesma graça que dança o flamenco.
Mas depois dos problemas migratórios Brasil/Espanha fica até um pouco difícil indicar o Brasil como destino para as férias de verão, quero dizer, ficava difícil, agora encontrei o De Viaje a Brasil, o site/blog do Tony Galvez, lexicógrafo zaragozano que depois de viver na Irlanda, mora no Brasil há seis anos e já conhece o gigante de norte a sul. São muitas dicas garimpadas nesses anos de experiência para ensinar aos “hispanohablantes” como ter as melhores férias de suas vidas. E o melhor é que o Tony tem um registro fotográfico impressionante e de alta qualidade de todos os lugares visitados por ele.
* Nomes fictícios para pessoas de verdade.
Tropa de Elite estréia na Espanha.
Em todos os jornais gratuitos de hoje (sim, na Espanha existe esse fenômeno e sim também, só compro jornal aos domingos, porque presenteiam alguma coisa) registraram a estréia do filme premiado com o urso de ouro.
Em Madrid serão apenas 19 salas mas já é um começo, já que cinema brasileiro, aqui, dificilmente chega às grandes telas.
O Dicunforça, foi uma espécie de testemunha “surda-muda” da minha vida durante estes últimos 12 meses. Digo isso porque minha vida particular foi citada aqui pouquíssimas vezes, nem sempre refletindo a realidade de um blog como um diário pessoal (como a maioria).
O Dicunforça é um blog modesto e despretencioso, poucos pots, poucos amigos, poucos comentaristas, poucas visitas mas os visitantes que vêm aqui buscam uma informação direta e os amigos são fiéis.
Conheci muita gente bacana (alguns estão aí ao lado) e voltei a acompanhar blogs que já conhecia há muito tempo e me desliguei de outros que para mim já não são interessantes.
Procuro seguir à contracorrente dos novos blogs, ou seja, evitando ao máximo posts sensacionalistas (como “Fotos da atriz Fulana sem calcinha”), ofender alguém para catar links & hits (como o caso do Ônibus Azul e a bebida da discórdia e o da Herbalie foi um post sobre o fitato), futebol (sobre o Pato, posso dizer que fui provocado e achei uma boa maneira de responder e ponto final, não falei mais nesse assunto), não respondo perguntas polêmicas e ao mesmo tempo idiotas (como no “Pergunte à Marmota”), não saio por aí barganhando links, não respondo memes (e olha que eu só vim saber o que é isso quando recebi um há pouco tempo), não deixo comentários só para gravar meu link nos posts (quando deixo um comentário é para comentar, sem segundas intenções e deixo meu link para que saibam quem sou), às vezes até adiciono no meu blogroll sem avisar ao blogger, procuro sempre citar a fonte das notícias postadas, não sou um personagem criado por mim mesmo para parecer interessante e assim falar sobre mim de uma forma que eu não falaria se fosse eu mesmo, decidi não mais utilizar o “continue lendo” para, agoísticamente, para ganhar um clique a mais no dia, não copio notícias inteiras como um post e não faço posts sobre um assunto que já está na primeira página de um portal que já lêem 4 bilhões de pessoas a não ser que seja realmente relevante para mim. O preço por tudo isso é ter um blog modesto mas esse preço eu pago com todo prazer.
Certa vez fiz uma experiência, fiz uma série de posts sobre tecnologia e telefonia celular e depois avisava em comunidades no orkut, como blogger normal, digamos. Um monte de gente veio ler e ainda vem, depois de tantos meses. Mas o interessante é que essas notícias saíram em todos os sites especializados no assunto mas os que se diziam membros de uma comunidade sobre tecnologia e telefonia celular, nada sabiam e vieram ávidos pela informação. Descobri com isso que um blogueiro não necessita ter a informação original e recente, só precisa na verdade fazer a publicidade dessa informação. Talvez por isso exista a eterna briga/discussão, blogueiros vs jornalistas, o neoblogueiro nunca cria a informação, apenas avisa que tem sem avisar de quem é e o pior deixa a entender que é sua ou que foi a primeira pessoa que viu.
E então, o que é sobra para falar se tudo já existe ou é de autoria alheia?
Acho incrível quem consegue fazer um post sobre um livro, quem consegue criticar a ingovernabilidade sem utilizar manipulações grosseiras, aquele que faz uma mentira parecer verdade mesmo explicando que na verdade é uma mentira, o que tem unicamente um tema em seu blog e parece que fala sobre enciclopédias, aquele que faz um post com opinião, quem consegue ser freqüente, quem nunca insere mais de um vídeo na sua página inicial, gosto de quem usa o seu blog para promover sua empresa o seu negócio e por aí vai…
Eu mesmo não tenho essas qualidades mas sou jovem e um dia aprenderei a usar isso aqui porque a internet é enorme mas o mundo real é muito maior.
City Rain é um joguinho é interessante, lembra muito o Simcity mas o objetivo é desenvolver uma pequena cidade que respeite questões ambientais.
O City Rain, foi desenvolvido por um grupo de estudantes da UneSP, o Mother Gaia, para competir na Imagine Cup 2008. E levaram o prêmio de Desenvolvimento de Jogos.
Link para download do arquivo de 120 MB aqui.
Reginete, a empregada da casa do Vieira, chega da Rua Grande toda querendo ser, de traca amarela, uma japonesa bandeirosa com pontuação 2 números acima da sua, rebolando e exibindo sua calça nova, daquelas bem apertadas e lá no rendengue, que comprou pra sair à noite. Logo gerou um bafafá dos invejosos da rua.
- Olha a barata do Vieira. Quer se aparecer! Tá escritinha uma fulêra!
- E tu parece uma nigrinha dando conta da vida dos outros – retruca à mulher Seu Barriga.
Porém, despertou também o interesse da molecada da rua. A galera do chucho parou para secar a moça. Até quem tava no desafiado. Guga largou de empinar seu papagaio aos gritos de ‘lá vaiii lá vaiii…’, sempre na guina para lancear melhor e com uma bimbarra reforçada, como proteção ao freio, e linha puída pelos amigos que sabotavam pisando nela, para admirar:- Éguas Reginete! Tá bonita como quê!
- Hmmmm piqueno. O que é heim? Só porque tô com minha calça nova? Comprei na Lobrás tá?!
Victor, o mais novo da turma, desinformado, questiona:
- O que é Lobrás?
- É uma loja, abestado. Ao pegado da Mesbla. Defronte das Pernambucanas. Onde a gente vai sempre capar bombom – corta Guga.
Caverna, sempre casqueiro, largou sua curica, feita de talo de coqueiro e folha de caderno, e veio, catingando que só ele, arrumar cascaria com Guga.
- O quê que tu quer?! A nêga é minha.
- Hmmmm tu quer te amostrar pros teus pariceiro? Te dôle um bogue!!!
- Me dáli? Rapá, tu não me trisca!
E a galera querendo ver o oco vem zilada jogar lenha na fogueira.
- Esse!! Tá falando da tua mãe! Chamou de qualhira!
- Éguas… eu não deixava!!! Cospe aqui – diz Dudu estendendo a mão.
Mas Guga não entra na conversa dos amigos:
- Vocês só querem ver a caveira dos outros!
- Ihhh gelão… cagou ralo heim Guga!!! Tá aberando!!!
Até que chega Lombo, o mais velho da turma, que jogava peteca naquele momento. Ele tinha o costume de quebrar as petecas alheias na brincadeira do cai, dando um china-pau com seu cocão de aço, principalmente se fosse uma olho de gato. Utilizava, também, o recurso do olhinho, mas dificilmente só bilava. Pediu limpo, completou matança nas borrocas e depois foi pro casa ou bola. Às vezes porco ou leitão vistando. Ele intervem:
Ê Caverna, tu já tá coisando os outros aí né?! Vai já levar um sambacu!
- Hen heim. Vamos já te dar um malha – confirma Guga, aliviado com a intervenção de Lombo.
- Hen heim – ironiza Caverna imitando Guga com voz afeminada.
- Não me arremeda não! Olha o raspa!
- Ahhh… vai te lascar!
Depois do furdunço por sua causa, Reginete sai toda empolgada de lá e decide dar logo uma parada na quitanda da Zefinha, lembrando que seu Vieira havia pedido que ela comprasse alguns ingredientes para garantir o fim de semana, já que Dona Veridiana ainda não havia feito a Lusitana do mês.
- Oi Dona Zefa. Quero camarão seco pra botar na juçara da dona Veridiana e fazer arroz de cuxá. Me arrume 3 Jeneves também, 2 quilos de macaxeira, um lidileite alimba, 2 pães massa fina e 4 massa grossa!
Ahh… e uma canihouse pro seu Vieira! A senhora vai checar seu estoque no freezer e retorna:
- Ê essa outra… só tem Guaraná Jesus. Vais querer? Vais querer quantas mãozadas de camarão?
- Três mãozadas tá bom. E pode ser Jesus sim.
Ao chegar em casa com as compras, seu Vieira repreende a moça:
- Tu fica remancheando pra trazer o cumê. To urrando de fome aqui já! Cuida piquena! Vou só banhar e quando voltar quero ver tudo pronto.
- Ô seu Vieira… o senhor é muito desinsufrido! Já to arreliada com uma confusão dos meninos na rua. Não me aguneia! Confie ni mim que faço tudo vuada! O senhor sabe que…
- Já sei… tá bom… aí fala mais que a nêga do leite. Eu heim?! – seu Vieira interrompe.
Neste momento chega Marquinho, filho do seu Vieira, com a equipagem da Bolívia Querida toda suja. Sinal de mais trabalho pra Reginete.
- Tava jogando travinha com os moleques! Não enche e me dá logo esse refri aí que to com sede.
- Hum Hum. Isso é do seu Vieira!
- Marrapá! Por quê?! Deixa de canhenguice, piquena!
- Deixa eu cuidar comigo que ainda quero sair hoje pra radiola no clubão! Vai rolar só pedra!
Passada a janta, Reginete já exausta lava a louça e reflete sobre seu evento da noite: ‘Já estou é aziada e as meninas não ligam. Amanhã começa mais um dia de trabalho e se sair hoje ainda fico lisa pro fim de semana!’. A moça muda de idéia segue sua rotina. Todos os preparativos para a noite foram em vão? Nãããã! O importante foi chamar a atenção e não se achar mais uma no meio da multidão!
Não gosto de musicais. Normalmente são chatos e o produtor/diretor têm o péssimo hábito de meter uma coreografia fora de contexto com bailes ridículos e “pós-neo-moderno”.
The Blues Brothers é diferente. Com atuações geniais e participações especiais mais do que especiais nos deixa muito longe dos musicais sem ritmo e sem propósito. O que eu não sabia é que Dan Aykroyd é um dos roteiristas do filme.
Escolher um momento desse filme é difícil.
Optei por Ray Charles e The Blues Brothers cantando e dançando Shake a Tail Feather.
E para completar a lista dos títulos sem pé nem cabeça, no mundo hispano o título é “Granujas a todo ritmo”.
Fiz a pergunta dia 5 de outubro do ano passado, exatemente nove meses depois, dia 05 de julho um dos buscados responde nos comentários.
Lucypher é um amigo das antigas, é ateu, humano, não possui unhas de cabra, cauda ou chifre, acho eu, tem um nome de “batismo” como todo cristão católico que se preze, é um nome estranho eu sei, mas tem. E até trabalha em um colégio católico, para demonstrar que não pode viver longe dos homens de batina, ou pessoas de batina.
No fórum da inter.net nos metíamos em discussões intermináveis sobre religião e futebol, assuntos que muitos preferem não tocar em uma discussão civilizada, mas esse era o nosso pão de cada dia.
Espero que voltemos à procurar briga em outros fóruns qualquer dia desses.
Bem, dando voltas no Orkut antes de me escafeder de vez, encontrei uma série de comunidades, que admiravelmente possuem um bom número de participantes que, acho eu, estão entre as mais loucas da rede.
Todas elas foram criadas pelo Gordo Nerd, que se proclama “Dono de um império de comunidades no orkut”.
Entre essas pérolas comunitáiras encontramos:
Odeio a impresa Marrom - Por um mundo com menos notícias sobre a Alcione.
Ganho tempo no orkut - Fico aqui enquanto a vida lá fora continua a mesma merda.
Finjo ser Nerd - Para ver se dou sorte com as garotas
Marias Nerds - — Oi gatinho… hmm… você… pode fazer o trabalho pra mim?
Tudo azul, todo mundo n00b - no Brasil, sol de norte a sul
Filé a Carpegiani - Os devidos créditos ao pai da receita
Lenin era cearense - A quem ele quis enganar com essa cabeça chata?
Mao Tsé-Tang - Jaime! A China tem sede.
Eu teria aqui, que escrever as 355 comunidades do Gordo Nerd. E isso seria trabalho demais. Busque a comunidade que você mais se identifica e curta os altos papos que devem rolar .
Já até deixei um aviso lá, me desvinculo do orkut.
Um orkuticídio em primeira pessoa.
É que depois de 4 anos do convite do meu amigo Newton, vi quem tinha que ver, matei daudades de quem tinha que matar, cansei do que tinha de cansar e enjoei ao ponto de não ter mais vontade de acessar
Bem que eu poderia cancelar sem mais aviso e os que lá estão que se… mas é que além de amigos, tenho família e amigos mui amigos.
E o tempo que eu me dedicava a bisbilhotar e ser bisbilhotado, utilizarei para crescimento individual, aprender um novo idioma, estudar photoshop ou até mesmo entrar em uma academia (por incrível que pareça .e que com quase 35 anos já sinto dores dignas de um de um sexagenário e muitos nem sentem).
Até imagino vincular-me a outra rede social (ou ser mais participativo já que tenho conta em MySpace e Facebook) que seja menos intrusiva ou até mesmo voltar ao orkut, escolhendo ou fazendo melhor a triagem dos amigos.
Mas isso tão cedo não acontecerá.
Nos vemos na próxima vida virtual.



