Como não falar em espanhol – I – Fonemas

Sempre achei que o primeiro capítulo de um livro que ensina idiomas, fosse para uma grande perda de tempo, aquele que ensina as letras, seus nomes e como pronunciá-los. O ei, bí, cí, dí… das aulas de inglês para mim eram um tempo perdido e sempre que pegava um curso de idioma, multimídia ou em livro, saltava esse primeiro capítulo por considerá-lo inútil. Queria eu provar do doce licor dos verbos e vocabulários mas nem sequer tinha provado do colostro das letras e fonemas que te prepara de uma forma incrível para o entender a sua língua materna e as que virão com o tempo, ou seja, o bom e velho be-a-bá.

Existe uma falsa semelhança entre o português e o espanhol, principalmente quando se trata das letras e fonemas. Apesar, de utilizarmos as mesmas letras (com exceção do ñ), os fonemas em alguns casos mudam bastante.

Entre as diferenças maiores do português para o espanhol nesse primeiro capítulo são essas (digo eu e não sou especialista) :

d (de) – Sabe aquele seu amigo pernambucano que sempre pronuncia o ‘d‘ com o ‘i’ de forma engraçada? Sim, desse jeito tem que ser. E algumas partes da Espanha no final de palavras como Madrid, libertad, prosperidad… soa como o z (mais abaixo).
g (ge) – A pronúncia da letra ‘g’ se equipara com a letra ‘r’ no Brasil, só que um pouco mais carregada, como dizia um amigo meu, como se estivesse escarrando. Mas isso apenas antes das vogais ‘e’ e ‘i’.
h (hache) – O ‘h’ continua não sendo ninguém no jogo do bicho, só tem função quando se junta com o ‘c’.
j (jota) – A pronúncia do ‘j’ é igual ao do ‘g’ só que dessa vez também se escarra nas outras vogais ‘a’ ‘o’ e ‘u’.
l (ele) – O ‘l’ nunca se transforma em ‘u’ como no português no Brasil ao final de palavras, que como já li em algum lugar, isso é herança dos idiomas africanos. Sempre a pronúncia deve ser como ‘l‘ sem a vogal seguinte.
q (cu) – Apenas o seu nome muda (e que nome), no restante se utiliza de igual maneira.
r (erre) – Esse é um grande problema. No início ou no fim de uma palavra e no fim de uma sílaba a pronúncia é ‘r‘. No início de uma sílaba no meio de uma palavra a pronúncia é igual ao português (ex.: Maria, cara, para).
t (te) – Sabe aquele seu amigo pernambucano que pronuncia o ‘t‘ junto com o ‘i’ de forma engraçada? Sim, desse jeito tem que ser (O mesmo com o d).
v (uve) – Um trabalho menos para os lusófonos, a pronúncia do ‘v’ é igual ao do ‘b’. Sério mesmo, em vez de vaca, pronuncia-se “baca” mesmo, sem dó nem piedade. Já para os daqui, é um problema grande às vezes não sabem que letra escrever.
w (uve doble) – Ou seja, ‘vê duplo’. Já encontrei duas pronúncias para essa letrinha. Uma delas é o ‘u’ comum, e a outra é o ‘gü’ por incrível que pareça bastante utilizado mas apenas quando a palavra é de origem anglo-saxônica (ex.: whisky – güisqui, web – güeb).
x (equis) – Esse é um outro problema, a pronúncia é igual ao ‘s’ às vezes, igual ao ‘j’ poucas vezes, igual ao ‘sh’ outras vezes e igual ao ‘ks’ outras vezes mais.
y (i griega) – Muito interessante, ao fim de uma sílaba ou palavra é igual ao ‘i’ comum mas ao início torna-se uma espécie de monstro com poderes especiais. Seria como um ‘dj’. Quem não se lembra do Walter Mercado, profeta, astrólogo e Drag Queen padroeira das contas telefônicas exorbitantes que gritava ao final de sua peça publicitária “Ligue Yá”!
z (zeta) – O pobre ‘z’ perde e ganha nesse jogo. A pronúncia que conhecemos (z) desaparece, mas ganha uma nova muito interessante (z) comparada com o ‘th‘ inglês.
ll
– Interessante esse caso, pois conheço muitas pronúncias, desde o ‘lh‘ fácil dos brasileirinhos até igual ao ‘y‘ já estudado, passando por um ‘ll‘ que seria uma mistura entre os dois e um ‘j‘ simples do português. Mas não possui regra, depende de onde cada indivíduo foi criado.
ch – Facílimo, sempre igual a um ‘tch’, do tcahu ou do ciao italiano.
rr – Igual ao ‘r‘ no início das palavras.

Vogais: Todas as vogais são fechadas. O “o” é sempre “ô” e o “e” é sempre “ê”.

Maior cuidado apenas com o r, para os brasileiros que conheço, principalmente os que utilizam o dialeto caipira, com seu ‘r‘ típico, o ‘r’ espanhol é um problema. Teve o caso de um goiano, que passou meia hora explicando à garçonete, em uma discoteca, que queria um Red Bull, mas com aquele sotaque goiano carregado “Um rédi burr porr favorr”e teve que subir no balcão e apontar a lata porque a pobre garçonete não entendia o que era um “redji burr“.

Para aprender mesmo faça um curso mas desista se seu professor for argentino.

Para mais saber Wikipedia

¡Hasta la próxima!

Veja também: Aprenda espanhol de uma vez!

Sobre vandehugo


2 Respostas to “Como não falar em espanhol – I – Fonemas”

  • JÉSSYKA

    Eu gostei muito da sua explicaçao, explicou bem a pronuncia espanhola, falando no final que os goianos usam um “dialeto caipira”.
    Nada á ver meu querido, sou goiana e o meu dialeto nao é caipira, e se nós goianos falamos o “r” é uma pronuncia forte e nao uma pronuncia caipira, pois é o sutaque goiano, igual o sutaque do rio de janeiro que puxam o “s” que por sinal acho ridículo esse sutaque carioca…
    Você entendeu seu otario…
    Espero que sim.

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