Espanha, país da paella, do jamón e das touradas.
Normalmente se conhece Espanha por estas três palavras. As duas primeiras são tradições gastronômicas das quais não compartilho apesar de as ter provado (não posso falar do que não conheço), não são do meu gosto. A terceira, bem, sobre a terceira posso dizer que comeria mil paellas e um quilo de jamón (mais do que isso eu não suportaria),
antes de chamar às touradas, cultura. Iria sim, se me garantissem que assistiria a uma re-encenação do fim de Manolete (como na foto aí ao lado).
São muitos os fatores que fazem que eu tenha ojeriza às touradas, a primeira não é a óbvia, ou seja, a morte do touro para diversão de um público, é o antes disso, é que muitas vezes o touro vem drogado e contrariamente ao que muitos pensam, não é apenas um toreiro contra um touro, existe um grupo de mais ou menos nove pessoas que cansam e perfuram o animal repetidas vezes, alguns a pé, outros à cavalo, não importa, o que interessa è que o animal esteja bem cansadinho, para que o herói possa matar o animal para glória sua e o deleite do povo.
Mas não pense que existe apenas essa magnífica forma de matar ou maltratar um animal neste país.
El toro de La Vega
Em Tordesilhas (sim, aquela famosa cidade onde se repartiu o que ninguém possuia), numa tradição do século XV, um grupo de cavaleiros com suas lanças, como também uma turba enfurecida, estressa-fura-espeta-maltrata o animal até a sua morte.
El toro júbilo
Os habitantes da cidade de Medinaceli em Sória, desde o século XVI, encaixam na cabéça do touro um artefao de metal, onde se ajustam às pontas do chifre, umas grandes bolas inflamáveis. Em Medinaceli já não se mata o touro mas existem outros 140 municípos de Valência que incluem os “touros de fogo”, como também são conhecidos, em seus festejos. Um total de 1200 animais sacrificados por ano.
Toros enmaronados
Também conhecido como “toros ensogados”, os animais são amarrados pelos cornos e arrastados pelas ruas das cidades. As cordas produzem traumatismos noa base do chifre e cortes nos músculos do pescoço. Faz parte dos festejos de Aragão, Navarra, La Rioja, Andaluzia, Valência e em Castela e Leão.
Toro de San Juan
Dentro de um local amuralhado um toro é solto para que os habitantes e visitantes lançam “soplillos” que são grossos alfinetes enrolados em papel e lançados com zarabatanas. Depois disso o animal se sacrifica com tiros.
Existem ainda as corridas anteriores às touradas e o lançamento do touro ao mar.
Bem, essas são as formas de humilhar e maltratar os touros mas ainda existem outros animais nesse processo de crueldade e tortura. São:
- Brigas de carneiros e galos;
- Cavalos que cruzam fogueiras e;
- Lançamentos de cabras e perus desde torres de igrejas.
O triste de tudo isso é que a cada ano, são maltratados mais de 60000 animais na Espanha, por suas festas, quase sempre em festas ligadas à santos com o total apoio da igreja católica.
E o interessante de tudo isso é que o único estado espanhol que proibiu totalmente o maltrato de animais em festejos é o País Basco (sim, aquele das bombas).
Muita gente deseja o fim desses espetáculos mas fica meio difícil quando essas atrocidades são consideradas patrimônio nacional.
Lista das maiores sociedades protetoras dos animais aqui.