Arquivo do mês: junho 2008

Complexo de Vira-Latas

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: – “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto: – não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: – desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: – “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.

E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: – é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: – o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: – se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: – o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade: – eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: – sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo. Pois bem: – não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: – qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: – temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: – “O que vem a ser isso?”. Eu explico.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: – e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: – porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: – o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: – para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

por Nelson Rodrigues 31.05.1958

Furtado no Beijos pra Torcida


Conversação em Tenetehara

O Luiz do Nheengatu Tupi, possui um guia de conversação básico dos Tembé (Pará) e dos Guajajara (Maranhão) que falam o mesmo idioma, o tenetehara da família tupi-guarani.

Bom dia – Zané ku´ém!
Boa tarde – Zané karu!
Boa noite – Zané pytun!
Olá – A-inwi!(chamando), ´Eî!
Como vai você? – Azéru´u?
Estou bem – Ihé katu
Não estou bem – Na-ihé-katu-i
Adeus! – A-iko a-ha itéko!;
A-ha-putar! (diz quem vai para quem fica), Haré! (diz quem fica para quem vai)
Obrigado – Azêha-ramo aipopa! (H.F.)
Obrigada – Azêha-ramo-aipo-mia! (M.F.)
Que há de novo? – Azê-ru´u kwéî-wé-ramo(har)?
Sei lá – Hêruwa!
Socorro! Me acode! – Né akwéî pa!
Fale mais claramente – Ê-ze´ẽng zê-kwaw-katu!
Não estou ouvindo nada (repita) – a-ênu-a´u-wém-pa!
Estou aprendendo o tembé – A-zê-mu´é tembé-ze´ẽng-rehe.
Não está certo – Nu-iko-î-hupi!
Agora sim! – Té-kuri-no!
Sim – Héré!
Não – Naani!
Que é isto? – Ma´é-tê?
Daqui a pouco – Aréw-a´u-rê!
Vá para o inferno! – Za´u!
Foi isso mesmo! – Azê-akwéî-ti!
Eu te amo – Ihé uru-aîhu!

Infelizmente no socioambiental.org, também se narra a história da destruição dessa cultura!


Elvis morreu de rir!

Infelizmente não encontrei um vídeo real daquele famoso show de agosto de 69 no “The International Hotel” onde Millie Kirkham faz Elvis Presley morrer de rir, ao interpretar, ou melhor, tentar interpretar, “Are You Lonesome Tonight?”. Mas aí está um vídeo com a música e com fotos do Rei, rindo.

An Elvis Fan, possui toda a letra e conta a história daquela surreal noite.


Lá vem o Pato

O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco.

Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo.

Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo.

Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas vez o moço
Que foi pra panela


BR6 é o melhor

Uma das minhas atividades de adolescente era a música mas especificamente o canto. Sim, eu cantava! Não era um divo mas não desafinava.

Nessa brincadeira, conheci o Take 6 e desde então a música à capela se tornou um vício. Poderia identificar só ouvindo qualquer grupo, seja ele Acappella, Nylons, Rockapella, Five O’clock Shadow, Alley Cats, Swingle Singers, Flying Pickets, Mint Juleps (obviamente), The Persuasions… Sabia a diferença entre os estilos Doo Wop e Barbershop, acredite para muitos ouvidos, são exatamente iguais. Identificaria o compositor e o arranjador apenas ouvindo o grupo cantar. Participava de acaloradas discussões sobre quem foi o melhor “bass” da história, J. D. Summer ou Tim Storms… Era mais que um vício, confesso.

Na época do Napster, como se diz lá na minha terra, “lavei a burra”. Encontrei raridades de cantores que já eram bons em seus grupos mas fizeram versões totalmente inéditas de músicas apenas com voz e back vocal. Fiz uma excelente coleção mas uma instalação mal-sucedida do BeOS no mesmo HD me levou a ter que procurar tudo de novo.

Cheguei a asistir à série Jack and Jill, que era emitida aos domingos pela manhã no SBT, unicamente porque em cada episódio um quarteto fazia uma paricipação especial com uma música que, claro, eu já conhecia.

Nessa época no Brasil nenhum grupo era expressivo até que (desculpem o atraso) o disco do BR6Here To Stay – Gershwin & Jobim“ recebeu o prêmio CARA 2008 (Contemporary A Cappella Recording Award), na categoria Best Jazz Album.

Senti saudades destes bons tempos ao ver a notícia no boletim que recebo semanalmente da CASA, acho que vou ligar o VUZE para buscar raridades…


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