Arquivo do mês: julho 2008

Quando eu morrer

O que acontecerá com minhas várias contas de e-mail do Gmail (e outros serviços do Google, Readers, Apps, Docs, ), Yahoo!, Hotmail, Windows Live, o Dicunforça, twitter, e-bay, Geni, Orkut, MySpace, FaceBook, Flickr!… quando eu morrer?

Você teria coragem de deixar suas senhas para um familiar, amigo, mulher (marido) ou namorada (o) para que fizesse os devidos cancelamentos e/ou anúncios da sua morte? Para que ninguém esperasse um post ou e-mail seu na ignorância da sua “partida”. A maioria não, principalmente com a namorada que pode virar ex e aí o bicho pega.

Por isso proponho que integrem nesses serviços acima citados um sistema de aviso de óbito integrado ao The Death Clock. Perto da data eu receberia um aviso para prolongar a data ou não tendo retorno, confirmasse que o dito cujus passou dessa pra melhor, começou a comer capim pela raiz, fez a viagem, virou adubo, vestiu o paletó de madeira, foi notícia no jornal, pagou o barqueiro, entrou em casa na horizontal, foi pra terra dos pés juntos, tirou férias pra eternidade…

Bem, não esperem posts no Dicunforça além de 4 de março de 2049.

p.s.: No caso de outro tipo de morte, que entrem os matemáticos indianos com suas loucas equações para encontrar outros fatores para definir melhor a data em que o sujeito passou dessa pra melhor, começou a comer capim pela raiz, fez a viagem, virou adubo, vestiu o paletó de madeira, foi notícia no jornal, pagou o barqueiro, entrou em casa na horizontal, foi pra terra dos pés juntos, tirou férias pra eternidade…


Invasores do espaço

Passeando pelo bairro de Vallecas (Madrid), encontrei esse grafite do Space Invaders.


Smurfs Wars

Sei que estou um pouco atrasado mas para essas coisas nunca é tarde.

Smurfs Wars é uma idéia incrível do Marcelo Braga (perder alguns minutos vendo os arquivos do Diburros é bem gratificante para quem gosta da arte da ilustração) e os teasers 1, 2 e 3 são de primeira.

Quando sair no cinema esperarei uns dias e baixarei pelo Vuze.


Homenagens em capas

Alguns álbuns são mais famosos por suas capas que por suas músicas. De tão famosos, e de tão interessantes que são, muitos outros grupos e cantores se utilizaram da fama da dita capa (e do talento, ou da falta de talento, do designer), para homenagear o seu grupo favorito.

O Amiright possui uma lista com alguns desses famosos álbuns, com um ranking dos mais copiados.

Em primeiro lugar está Abbey Road dos Beatles (aquela em que os quatro atravessam a rua e que o falecido Paul McCartney está descalço), com 53 cópias encontradas. A segunda mais copiada é a capa de álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, também dos Beatles com 51 capas reconhecidas e até o Zé Ramalho contribuiu, com o Nação Nordestina, incluindo figuras da cultura e do cenário musical brasileiro.

Muito interessante também são as versões de feitas pelos Simpsons (Matt Groening):


A melhor Tabela Periódica na internet

Eu era péssimo em química no colégio. Na verdade eu era péssimo em quase todas as matérias que exigiam cálculos ou fórmulas.

Mas eu acho que se tivesse uma como essa eu teria me saído melhor durante meus dias de estudante.

Feita em flash e com todos os elementos conhecidos esta tabela, além dos dados dados comuns de uma tabela normal (número atômico, símbolo e massa atômica) tem um link para cada elemento na Wikipedia, 14 propriedades de cada elemento (de série química a potencial de ionização, de condutividade térmica a ano de descobrimento) e um monte de informações mais que, na verdade, eu não entendo patavinas, pois continuo sendo péssimo nessas coisas.

Como se não bastasse, se pode mudar o idioma em que a tabela é apresentada, mudando até a entrada na  Wikipedia para o idioma escolhido, basta apenas mudar as duas últimas letras do link para o código do idioma desejado.

Futado no | Aula de Física y Química


Vacaciones en Brasil

Nos meses de julho a agosto em Madri chega a ser uma alegria para o trânsito e o transporte público. Ruas vazias, menos tráfego, trens, metrôs e ônibus menos freqüentes e mais lentos porém sem o aperto e o desconforto das multidões.

A cidade pára para o descanso obrigatório dos cidadãos.  Muitos não têm como pagar suas dívidas, hipotecas e gastos que fizeram nas festas de fim de ano mas não ficam, nem sonhando, sem suas “vacaciones”.

Nos últimos meses, no trabalho, encontrei pessoas que se declaravam apaixonadas pelo Brasil. Alguns se firmavam no trio maravilha, cartão de visitas brasileiro, mulher/futebol/carnaval. Mas encontrei alguns como o francês Jean*, que sendo músico jazzista, tem vontade de conhecer o Brasil para aprender algo mais sobre Jobim e Pixinguinha, visitar a Mooca e tocar com sambistas de verdade, dona Lucía* deseja conhecer o nordeste brasileiro e suas praias e a filha do seu Jorge* quer aprender a dançar samba com a mesma graça que dança o flamenco.

Mas depois dos problemas migratórios Brasil/Espanha fica até um pouco difícil indicar o Brasil como destino para as férias de verão, quero dizer, ficava difícil, agora encontrei o De Viaje a Brasil, o site/blog do Tony Galvez, lexicógrafo zaragozano que depois de viver na Irlanda, mora no Brasil há seis anos e já conhece o gigante de norte a sul. São muitas dicas garimpadas nesses anos de experiência para ensinar aos “hispanohablantes” como ter as melhores férias de suas vidas. E o melhor é que o Tony tem um registro fotográfico impressionante e de alta qualidade de todos os lugares visitados por ele.

* Nomes fictícios para pessoas de verdade.


Tropa de Élite

Tropa de Elite estréia na Espanha.

Em todos os jornais gratuitos de hoje (sim, na Espanha existe esse fenômeno e sim também, só compro jornal aos domingos, porque presenteiam alguma coisa) registraram a estréia do filme premiado com o urso de ouro.

Em Madrid serão apenas 19 salas mas já é um começo, já que cinema brasileiro, aqui, dificilmente chega às grandes telas.


Ano bom

O Dicunforça, foi uma espécie de testemunha “surda-muda” da minha vida durante estes últimos 12 meses. Digo isso porque minha vida particular foi citada aqui pouquíssimas vezes, nem sempre refletindo a realidade de um blog como um diário pessoal (como a maioria).

O Dicunforça é um blog modesto e despretencioso, poucos pots, poucos amigos, poucos comentaristas, poucas visitas mas os visitantes que vêm aqui buscam uma informação direta e os amigos são fiéis.

Conheci muita gente bacana (alguns estão aí ao lado) e voltei a acompanhar blogs que já conhecia há muito tempo e me desliguei de outros que para mim já não são interessantes.

Procuro seguir à contracorrente dos novos blogs, ou seja, evitando ao máximo posts sensacionalistas (como “Fotos da atriz Fulana sem calcinha”), ofender alguém para catar links & hits (como o caso do Ônibus Azul e a bebida da discórdia e o da Herbalie foi um post sobre o fitato), futebol (sobre o Pato, posso dizer que fui provocado e achei uma boa maneira de responder e ponto final, não falei mais nesse assunto), não respondo perguntas polêmicas e ao mesmo tempo idiotas (como no “Pergunte à Marmota”), não saio por aí barganhando links, não respondo memes (e olha que eu só vim saber o que é isso quando recebi um há pouco tempo), não deixo comentários só para gravar meu link nos posts (quando deixo um comentário é para comentar, sem segundas intenções e deixo meu link para que saibam quem sou), às vezes até adiciono no meu blogroll sem avisar ao blogger, procuro sempre citar a fonte das notícias postadas, não sou um personagem criado por mim mesmo para parecer interessante e assim falar sobre mim de uma forma que eu não falaria se fosse eu mesmo, decidi não mais utilizar o “continue lendo” para, agoísticamente, para ganhar um clique a mais no dia, não copio notícias inteiras como um post e não faço posts sobre um assunto que já está na primeira página de um portal que já lêem 4 bilhões de pessoas a não ser que seja realmente relevante para mim. O preço por tudo isso é ter um blog modesto mas esse preço eu pago com todo prazer.

Certa vez fiz uma experiência, fiz uma série de posts sobre tecnologia e telefonia celular e depois avisava em comunidades no orkut, como blogger normal, digamos. Um monte de gente veio ler e ainda vem, depois de tantos meses. Mas o interessante é que essas notícias saíram em todos os sites especializados no assunto mas os que se diziam membros de uma comunidade sobre tecnologia e telefonia celular, nada sabiam e vieram ávidos pela informação. Descobri com isso que um blogueiro não necessita ter a informação original e recente, só precisa na verdade fazer a publicidade dessa informação. Talvez por isso exista a eterna briga/discussão, blogueiros vs jornalistas, o neoblogueiro nunca cria a informação, apenas avisa que tem sem avisar de quem é e o pior deixa a entender que é sua ou que foi a primeira pessoa que viu.

E então, o que é sobra para falar se tudo já existe ou é de autoria alheia?

Acho incrível quem consegue fazer um post sobre um livro, quem consegue criticar a ingovernabilidade sem utilizar manipulações grosseiras, aquele que faz uma mentira parecer verdade mesmo explicando que na verdade é uma mentira, o que tem unicamente um tema em seu blog e parece que fala sobre enciclopédias, aquele que faz um post com opinião, quem consegue ser freqüente, quem nunca insere mais de um vídeo na sua página inicial, gosto de quem usa o seu blog para promover sua empresa o seu negócio e por aí vai…

Eu mesmo não tenho essas qualidades mas sou jovem e um dia aprenderei a usar isso aqui porque a internet é enorme mas o mundo real é muito maior.


Simcity + Tetris = City Rain

City Rain é um joguinho é interessante, lembra muito o Simcity mas o objetivo é desenvolver uma pequena cidade que respeite questões ambientais.

O City Rain, foi desenvolvido por um grupo de estudantes da UneSP, o Mother Gaia, para competir na Imagine Cup 2008. E levaram o prêmio de Desenvolvimento de Jogos.

Link para download do arquivo de 120 MB aqui.


Maranhensês

Reginete, a empregada da casa do Vieira, chega da Rua Grande toda querendo ser, de traca amarela, uma japonesa bandeirosa com pontuação 2 números acima da sua, rebolando e exibindo sua calça nova, daquelas bem apertadas e lá no rendengue, que comprou pra sair à noite. Logo gerou um bafafá dos invejosos da rua.

- Olha a barata do Vieira. Quer se aparecer! Tá escritinha uma fulêra!
- E tu parece uma nigrinha dando conta da vida dos outros – retruca à mulher Seu Barriga.

Porém, despertou também o interesse da molecada da rua. A galera do chucho parou para secar a moça. Até quem tava no desafiado. Guga largou de empinar seu papagaio aos gritos de ‘lá vaiii lá vaiii…’, sempre na guina para lancear melhor e com uma bimbarra reforçada, como proteção ao freio, e linha puída pelos amigos que sabotavam pisando nela, para admirar:- Éguas Reginete! Tá bonita como quê!
- Hmmmm piqueno. O que é heim? Só porque tô com minha calça nova? Comprei na Lobrás tá?!

Victor, o mais novo da turma, desinformado, questiona:

- O que é Lobrás?
- É uma loja, abestado. Ao pegado da Mesbla. Defronte das Pernambucanas. Onde a gente vai sempre capar bombom – corta Guga.

Caverna, sempre casqueiro, largou sua curica, feita de talo de coqueiro e folha de caderno, e veio, catingando que só ele, arrumar cascaria com Guga.

- O quê que tu quer?! A nêga é minha.
- Hmmmm tu quer te amostrar pros teus pariceiro? Te dôle um bogue!!!
- Me dáli? Rapá, tu não me trisca!

E a galera querendo ver o oco vem zilada jogar lenha na fogueira.

- Esse!! Tá falando da tua mãe! Chamou de qualhira!
- Éguas… eu não deixava!!! Cospe aqui – diz Dudu estendendo a mão.

Mas Guga não entra na conversa dos amigos:
- Vocês só querem ver a caveira dos outros!
- Ihhh gelão… cagou ralo heim Guga!!! Tá aberando!!!

Até que chega Lombo, o mais velho da turma, que jogava peteca naquele momento. Ele tinha o costume de quebrar as petecas alheias na brincadeira do cai, dando um china-pau com seu cocão de aço, principalmente se fosse uma olho de gato. Utilizava, também, o recurso do olhinho, mas dificilmente só bilava. Pediu limpo, completou matança nas borrocas e depois foi pro casa ou bola. Às vezes porco ou leitão vistando. Ele intervem:

Ê Caverna, tu já tá coisando os outros aí né?! Vai já levar um sambacu!
- Hen heim. Vamos já te dar um malha – confirma Guga, aliviado com a intervenção de Lombo.
- Hen heim – ironiza Caverna imitando Guga com voz afeminada.
- Não me arremeda não! Olha o raspa!
- Ahhh… vai te lascar!

Depois do furdunço por sua causa, Reginete sai toda empolgada de lá e decide dar logo uma parada na quitanda da Zefinha, lembrando que seu Vieira havia pedido que ela comprasse alguns ingredientes para garantir o fim de semana, já que Dona Veridiana ainda não havia feito a Lusitana do mês.

- Oi Dona Zefa. Quero camarão seco pra botar na juçara da dona Veridiana e fazer arroz de cuxá. Me arrume 3 Jeneves também, 2 quilos de macaxeira, um lidileite alimba, 2 pães massa fina e 4 massa grossa!

Ahh… e uma canihouse pro seu Vieira! A senhora vai checar seu estoque no freezer e retorna:
- Ê essa outra… só tem Guaraná Jesus. Vais querer? Vais querer quantas mãozadas de camarão?
- Três mãozadas tá bom. E pode ser Jesus sim.

Ao chegar em casa com as compras, seu Vieira repreende a moça:

- Tu fica remancheando pra trazer o cumê. To urrando de fome aqui já! Cuida piquena! Vou só banhar e quando voltar quero ver tudo pronto.
- Ô seu Vieira… o senhor é muito desinsufrido! Já to arreliada com uma confusão dos meninos na rua. Não me aguneia! Confie ni mim que faço tudo vuada! O senhor sabe que…
- Já sei… tá bom… aí fala mais que a nêga do leite. Eu heim?! – seu Vieira interrompe.

Neste momento chega Marquinho, filho do seu Vieira, com a equipagem da Bolívia Querida toda suja. Sinal de mais trabalho pra Reginete.
- Menino, olha essa tua roupa. Tava num chiqueiro era? Vai ficar encardidinha! Isso não sai não! E esses brinquedos?! Tudo esbandalhado! Aí não tem jeito! Olha… tá só o ceroto!
- Tava jogando travinha com os moleques! Não enche e me dá logo esse refri aí que to com sede.
- Hum Hum. Isso é do seu Vieira!
- Marrapá! Por quê?! Deixa de canhenguice, piquena!
- Deixa eu cuidar comigo que ainda quero sair hoje pra radiola no clubão! Vai rolar só pedra!
Passada a janta, Reginete já exausta lava a louça e reflete sobre seu evento da noite: ‘Já estou é aziada e as meninas não ligam. Amanhã começa mais um dia de trabalho e se sair hoje ainda fico lisa pro fim de semana!’. A moça muda de idéia segue sua rotina. Todos os preparativos para a noite foram em vão? Nãããã! O importante foi chamar a atenção e não se achar mais uma no meio da multidão!

Update 1:
Esse engraçado e interessante texto sobre o dia dos ludovicenses, é de autoria do Armando Henrique, gente finíssima, maranhense e ludovicense, que teve seu texto espalhado pela net sem uma indicação clara de quem era o autor e eu, confesso, errei postando aqui sem procurar a fonte. Quem quiser essa maravilha atualizada, procure o Armando no Megafone.

Update 2:
Se algum novo dono do texto aparecer por favor fale diretamente com o Armando.


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